quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ACOLHIMENTO




Acolhimento e a dificuldade no cumprimento das normas.
O acolhimento é uma forma de relação entre o serviço/usuário com escuta qualificada
Para desvelar as necessidades dos que buscam à USF para uma produção do cuidado com responsabilidade, solidariedade e compromisso. Tal entendimento, requer perceber o usuário que adentra à unidade de saúde a partir de suas necessidades de condições de vida, de vínculo entre o serviço e os trabalhadores que produzem o cuidado, de autonomia no seu modo de viver à vida e de sua queixa biológica que o levaram a procurar o serviço de saúde, de ser alguém singular (Cecílio, 2001, Merhy,2003).
Além disto, reconhecer que o usuário tem uma história de vida que traz sua cultura, suas relações sociais e o ambiente de sua origem que contribui na formação de sua subjetividade (Franco & Panizzi, 2004).
Avalio que o acolhimento vai desde um simples aperto de mão na entrada do serviço de saúde com o fornecimento de informações até a escuta qualificada que poderá diagnosticar vários problemas bio-psicossociais. O acolhimento gera o diálogo e a escuta qualificada que por sua vez poderá servir de gatilho para a abordagem de questões importantes; sejam elas individuais ou coletivas. Pretendo desenvolver um trabalho sobre acolhimento com a equipe do CAPS.
No CAPS existem três modalidades, são Elas: Intensiva ( 5 turnos divididos durante a semana), semi- Intensivo (3 turno divididos durante a semana) e não-intensivo ( 2 ou 1 turno dividido durante a semana). Acontece que, existem aqueles usuários que possui certa dificuldade de entender e obedecer às normas e regras do serviço e acabam por freqüentar o CAPS nos dias que não estão agendados, isso causa certo desconforto à equipe que por sua vez fica no meio do muro. Pois, se pede que o usuário retorne no seu dia, corre o risco de perder o vinculo e se o aceita no dia que não está agendado corre o risco de contribuir para os demais usuários queiram vim todos os dias ou nos dias que desejarem participar do CAPS.

Acolher e incluir sim, excluir não e desistir jamais.

Martinho Sérgio de Medeiros Casado
Coordenador do CAPS de Picuí - Paraíba.

A Vida é mestra no saber


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“ Lançar mão de tudo e acreditar que a vida é mestra na arte de aprender e de ensinar. Somos e sempre seremos eternos professores uns dos outros !!! “

Obrigado pela oportunidade de ensinar e de aprender ...
Martinho enfermeiro de Cristo

terça-feira, 12 de outubro de 2010

NOSSA HISTÓRIA




Em Picuí-PB, anterior ao ano de 2006, havia apenas o serviço de dispensação de medicação psicotrópica na rede municipal, após concurso publico municipal, foi criada a coordenação de saúde mental composta por 1 (uma) Psicóloga, 1 (uma) Enfermeira e 1 (uma) farmacêutica bioquímica que fazia a dispensação dos psicotrópicos, havia reuniões semanais com pequenos grupos de usuários com sofrimento mental que passaram a utilizar o serviço com uma maior assiduidade. Após, várias reuniões, chegou-se ao consenso da necessidade de implantar um serviço mais qualificado que pudesse oferecer uma assistência holística aos usuários e pessoas com sofrimento mental, daí então foi feito o projeto e após algum tempo, foi implantado o CAPS 1 de Picuí-PB, tendo suas portas abertas ao público no dia: 05/07/2009, após capacitação da equipe multiprofissional e capacitação de todas as ESFs do município. A gestão municipal teve esse cuidado de implantar o novo serviço fortalecendo o vínculo com a rede de atenção básica a partir de reuniões de capacitações com toda a equipe dos ESFs.
A minha experiência em saúde mental se deu a partir da capacitação com a equipe multiprofissional, pois, não havia trabalhado nessa área da saúde, apenas feito estágio no período de acadêmico de enfermagem no Hospital Psiquiátrico Dr.º Maia em Campina Grande-PB. Habituado com a enfermagem assistencialista que exercia nos serviços hospitalares e na atenção básica, acolhi a proposta como um desafio que posteriormente me trouxe muita realização profissional e pessoal. Pois, na minha trajetória profissional, os novos desafios sempre me inquietaram para fazer algo novo e diferente, ou seja, que a centralização do trabalho terapêutico esteja dirigida na existência Holística do usuário/cliente, pois, o mesmo é o sujeito ativo e não um objeto na relação com a instituição. Contrapondo-se a prática médico privatista centrada no tratamento da doença e não na reabilitação total do individuo que sendo único deve ser tratado respeitando sua singularidade peculiar. Portanto, o acolhimento, necessita adentrar no cenário da minha prática onde o cuidar se faz urgente e emergente, também como forma de humanização.
A humanização encontra-se intimamente ligada à relação de cuidado existente entre o profissional de saúde e a pessoa cuidada, uma vez que segundo a filosogia da palavra, cuidado deriva do Latim Cura que era usada em um contexto de relações de amor e amizade, para expressar a atitude de desvelo, preocupação. Segundo Boff (1999, p.91), “expressa uma atitude fundamental de um modo de ser mediante o qual a pessoa sai de si e centra-se no outro com desvelo e solicitude.”
Segundo Brasil (2004), o acolhimento, como recurso técnico-assistencial, permite mudar os modos de operar a assistência, refletindo a respeito das relações durante o trabalho em saúde. Tais inovações repercutem na forma de organização tanto do processo de trabalho nas equipes, como n a organização das unidades em redes assistenciais, buscando uma aproximação entre a oferta de ações e serviços e as necessidades e demandas da população.
Foi a partir do entendimento dessa necessidade que surgiu minha motivação para a realização deste trabalho, focalizando como uma ferramenta que se bem utilizada pode-se chegar mais próximo daquilo que se idealiza como tratamento qualificado, humanizado e resolutivo uma vez que,

“o acolhimento é a arte de interagir, construir algo em comum, descobrir nossa humanidade mais profunda na relação com os outros e com o mundo natural. E deixar que os outros descubram em nós sua humanidade e o mundo nos mostre sua mostre sua amplitude” (SÃO PAULO, 2002).

MUSICOTERAPIA


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CORAL DO CAPS: musicoterapia



Coordeno o coral “loucos pela música” como proposta de musicoterapia individual e coletiva gerando a inclusão no serviço e participação nas oficinas, trabalho em equipe, a reinserção e ressorcialização dos usuários, bem com elevação da auto-estima dos mesmos, desenvolvimento de suas potencialidades artísticas e culturais. O referido coral é composto por: 30 usuários de ambos os sexos que tem afinidade com a música (gostam de cantar); trata-se de uma característica muito comum entre os usuários com transtornos mentais, essa atividade me completa como pessoa humana, pois sou músico amador (toco violão) e realizo o acolhimento também através da música, pois, a música é uma arte universal e cada ser humano traz dentro de si, lembranças boas ou tristes que estão vinculadas diretamente ou indiretamente (consciente ou inconscientemente) há algum tipo de música.
Segundo Costa (1989), a música reforça a identidade e o auto-conceito; altera o estado de ânimo do paciente; auxilia o paciente a lembrar de eventos significativos do seu passado; promove a expressão não verbal de sentimentos, inclusive inconscientes; favorece a fantasia.

FONTE: COSTA, C.M. O despertar para o outro - musicoterapia. São Paulo, Summus, 1989. In: www.musicaeadoração.com.br acesso em: 13/09/2010.

Sofrimento Mental: doença mental




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O doente mental ainda é representado pela maioria da população, como também por profissionais e estudantes da área de saúde, como um “outro” perigoso, um ser “fora de si”, irresponsável, incapaz ou bizarro. As representações sociais associam
tais comportamentos à incapacidade social, à impossibilidade de estabelecer trocas sociais. Portanto, as nossas concepções de como cuidar do doente mental devem passar necessariamente pelo reconhecimento do significado social da doença mental e
do valor simbólico da loucura (OLIVEIRA, 2007, p. 3).
A convivência com os usuários deixou claro também que é frágil e delicada a linha que nos separa da loucura.
Postula-se que a linha, ao invés de separar, isolar e excluir, como historicamente tem sido essa prática, pode ser usada para conectar, unir. A reforma psiquiátrica brasileira busca modificar a relação da sociedade com as pessoas que sofrem de transtornos mentais, formando redes de solidariedade que favoreçam a construção de uma sociedade mais livre e tolerante.
A universidade através de suas ações extensionistas tem uma função importante nesse processo de construção de um novo espaço social para sujeitos psiquiatrizados. O conhecimento produzido deve ser colocado a serviço de uma sociedade mais justa, com menos desigualdade social e mais saudável. A residência terapêutica ora
discutida caminha nessa direção, como atividade de extensão busca contribuir para a construção da cidadania, a reabilitação, a autonomia e a inclusão social.
Faz-se necessário estabelecer uma aliança com a sociedade para desconstruir o estigma que secularmente acompanha o doente mental, tido como ser incapaz, perigoso, não sociável. Essa aliança vem sendo estabelecida
pelos profissionais do CAPS de Cajazeiras, mas precisa ser mais efetiva, com ações permanentes, só assim, será possível a construção de espaços em que convivam iguais e diferentes, singulares e plurais, como é a proposta
das residências terapêuticas.
As residências terapêuticas devem ser de natureza pública e estarem integradas à rede dos SUS. O suporte de caráter interdisciplinar deve ser o CAPS, nos municípios que estejam em funcionamento esse serviço. O acompanhamento deve ser sistemático, com suporte profissional competente e sensível levando-se em consideração às demandas de cada um, ou seja, a singularidade de cada um dos moradores. O número de
usuários da residência pode variar de 1 (uma) até no máximo 8 (oito) pessoas. A equipe deve ser constituída no mínimo pelos seguintes profissionais: um profissional de nível superior da área de saúde com formação,
especialidade ou experiência na área de saúde mental; 02 profissionais de nível médio com experiência e/ou capacitação específica em reabilitação psicossocial (BRASIL, 2004; BRASIL, 2005).

Fonte: BRASIL, M. S. Secretaria de Atenção à Saúde. DAPE. Residências terapêuticas: o que são, para que servem.
Brasília, 2004;
BRASIL, M. S. Secretaria de Atenção à Saúde. DAPE. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma
Psiquiátrica e Política de Saúde Mental no Brasil. Documento apresentado à Conferência Regional de
Reforma dos Serviços de Saúde Mental: 15 anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, novembro de 2005.

OLIVEIRA, F. B. de. Construindo saberes e práticas em saúde mental. João Pessoa: Editora da UFPB, 2002.
OLIVEIRA, F. B.; SILVA, K. M. D. Concepções sobre a prática da enfermeira nos Centros de Atenção
Psicossociais. In: II CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE FEDRAL DE
CAMPINA GRANDE, 1., 2005, Campina Grande.
OLIVERIA, F. B. Doença mental e (re)integração social: uma relação possível? Projeto PIBIC/CNPq/UFCG.
2007. 16p.

Reabilitação : USUÁRIOS X FAMILIARES


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Reabilitação

O processo de reabilitação psicossocial busca de modo especial a inserção do usuário na rede de serviços, organizações e relações sociais da comunidade. Desse modo, a inserção em um SRT é o início de um longo processo de reabilitação que deverá buscar a progressiva inclusão social do morador.
Melman (2001), e Oliveira e Silva (2005) destacam que é fundamental a participação da família no tratamento
do usuário em saúde mental, uma vez que esta nem sempre está preparada para lidar com o parente com
transtorno mental, sente carência de informação qualificada e, muitas vezes, sente-se obrigada a dedicar grande
parte do seu cotidiano para o cuidado ao mesmo. Os delírios, as alucinações e os comportamentos estranhos
desestruturam as formas da família tratar o doente, que por sua vez sente-se frustrado, triste e com medo. A
culpa também passa a fazer parte do cenário familiar, que busca explicações em erros do passado para amenizar
seu sofrimento.
Os contatos com os usuários revelaram que o sofrimento e a dor fazem parte de suas vidas cotidianas. Vidas
marcadas por perdas (de amores, trabalho, amigos), desencontros, fragilidades, rupturas de vínculos familiares
permeadas pela não aceitação, rejeição e brigas no cotidiano, levando a uma situação estressante e
progressivamente insustentável, culminando com a exclusão da pessoa com transtorno mental e/ou sofrimento
psicossocial.

Fonte: MELMAN, J. Família e doença mental: repensando a relação entre profissionais de saúde e familiares. São Paulo: Escrituras Editora, 2001 (Coleção Ensaios Transversais).

COMO SE MEDE UMA PESSOA



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Como se mede uma pessoa?


Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.
Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.
Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande.
É a sua sensibilidade sem tamanho.
Martha Medeiros